terça-feira, 2 de junho de 2026

Execução em Minas foi comandada de presídio do Rio: denúncia aponta que líder do CV em Bangu ordenou assassinato de grávida por dívida de drogas

 


Uma denúncia do Ministério Público de Minas Gerais revela que a execução de uma mulher grávida, assassinada com 11 tiros em plena luz do dia na cidade de Nanuque, no Vale do Mucuri, foi planejada e coordenada a partir de dentro do sistema prisional do Rio de Janeiro.


Segundo os promotores, a ordem para matar a vítima partiu de um bandido conhecido como “General”, apontado como liderança regional do Comando Vermelho (CV) e atualmente preso no Complexo Penitenciário de Bangu, na Zona Oeste do Rio. 
De acordo com a investigação, mesmo atrás das grades, o criminoso continuava exercendo influência sobre integrantes da facção em Minas Gerais e teria determinado a execução por causa de uma suposta dívida relacionada ao tráfico de drogas, além da acusação de que a vítima teria furtado entorpecentes pertencentes à organização criminosa.

Rede criminosa ligando Rio e Minas

A denúncia descreve uma estrutura criminosa que ligava integrantes do Comando Vermelho no Rio de Janeiro a executores em Minas Gerais. Segundo o Ministério Público, duas mulheres residentes em Bangu atuavam como intermediárias da ordem de execução, coordenando a logística do crime e repassando informações para os envolvidos em Nanuque. A investigação aponta ainda que a vítima foi monitorada em tempo real antes do assassinato. Vídeos teriam sido enviados aos executores mostrando sua localização exata momentos antes da emboscada.

Execução monitorada e filmada


De acordo com a denúncia, a vítima caminhava por uma rua da região central de Nanuque quando foi surpreendida pelos criminosos. 
Os executores chegaram ao local em uma motocicleta roubada. O atirador desceu do veículo e efetuou diversos disparos de pistola calibre 9 milímetros à curta distância. O laudo de necropsia apontou 11 perfurações provocadas pelos tiros, sendo a causa da morte uma hemorragia interna severa. Para o Ministério Público, a execução ocorreu de forma premeditada, mediante emboscada e sem qualquer possibilidade de reação por parte da vítima.

Grávida no momento do crime

Outro aspecto destacado pelos promotores é que a vítima estava grávida quando foi assassinada. A circunstância foi incluída entre os agravantes da acusação e, segundo o Ministério Público, aumenta ainda mais a gravidade do caso, já que a violência atingiu não apenas a mulher, mas também a vida intrauterina.

Preso, mas ainda dando ordens

Um dos pontos mais contundentes da denúncia é a afirmação de que o suposto líder da facção continuava comandando ações criminosas mesmo recolhido em uma unidade prisional de segurança máxima no Rio de Janeiro. Ao pedir a prisão preventiva dos denunciados, o Ministério Público destacou que a periculosidade do grupo é demonstrada justamente pelo fato de que o líder preso em Bangu teria conseguido ordenar uma execução a centenas de quilômetros de distância. Para os promotores, o caso evidencia a capacidade de articulação do Comando Vermelho fora dos presídios e a manutenção das estruturas de comando da facção mesmo com seus principais integrantes encarcerados. Os denunciados responderão por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de outros crimes apontados na denúncia apresentada à Justiça mineira.

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