segunda-feira, 1 de junho de 2026

PMs são denunciados por estrangular homem até desmaiar dentro de delegacia no RJ

 A Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro decidiu receber a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra dois policiais militares acusados de submeter um homem a uma série de agressões e abusos de autoridade que teriam culminado em um estrangulamento dentro de uma delegacia, fazendo a vítima perder a consciência e cair no chão.

Os denunciados são um terceiro-sargento e um cabo


que agora passam a responder formalmente ao processo criminal após o magistrado entender que existem indícios suficientes de autoria e materialidade para a abertura da ação penal.

Segundo a denúncia do Ministério Público, os fatos ocorreram em 27 de março de 2025, em Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense.

De acordo com a investigação, os policiais abordaram M.J.O.H que transitava em uma bicicleta vermelha pelo bairro Parque das Águas. A revista pessoal não teria encontrado qualquer material ilícito e também não havia mandado de prisão contra ele.

Mesmo assim, segundo a acusação, os agentes teriam obrigado o homem a acompanhá-los até a 144ª Delegacia de Polícia, onde os episódios mais graves teriam ocorrido.

A denúncia afirma que, após ser constatado que não existia qualquer mandado de prisão contra m, um dos policiais exigiu que fosse feita uma fotografia do seu rosto.

A vítima teria se recusado.

Foi então que, segundo o Ministério Público, o sargento puxou M pela camisa e o levou para uma área mais reservada da delegacia.

Ainda conforme a denúncia, o policial passou a pressionar o pescoço da vítima contra uma parede para forçá-la a aceitar o registro fotográfico.

Quando Marlon pediu que o agente soltasse seu pescoço, o cabo teria segurado seus braços enquanto o sargento continuava a esganadura.

A acusação sustenta que o estrangulamento foi tão intenso que a vítima acabou perdendo a consciência.

“O estrangulamento persistiu até que M perdesse a consciência, caindo ao solo e batendo com a cabeça no chão”, descreve a denúncia.

O Ministério Público afirma que as acusações são amparadas por análises de imagens, vídeos e demais elementos reunidos durante o Inquérito Policial Militar.

Como se não bastasse o episódio do estrangulamento, a denúncia relata que, pouco antes de liberar a vítima, o sargento ainda teria desferido um tapa em seu rosto.

A agressão teria provocado um ferimento na boca de Marlon, registrado por fotografias e outros elementos periciais anexados aos autos.

Na decisão, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venancio Braga, da Auditoria da Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro, destacou que a denúncia atende aos requisitos legais e que os elementos reunidos durante a investigação fornecem base suficiente para a instauração da ação penal.

O magistrado ressaltou que a acusação está apoiada em depoimentos, registros audiovisuais e demais provas produzidas durante o Inquérito Policial Militar.

Diante disso, determinou o recebimento da denúncia e a citação dos policiais para apresentarem defesa.

Os dois PMs são acusados de crimes militares relacionados a constrangimento ilegal praticado com abuso de autoridade e violência, enquanto o sargento também responderá por acusação de lesão corporal em razão do tapa que teria atingido a vítima.

Com o recebimento da denúncia, o processo entra agora na fase de instrução, quando serão analisadas as provas, ouvidas testemunhas e apresentadas as versões da defesa e da acusação.

O episódio chama atenção pela gravidade das acusações, já que a suposta violência não teria ocorrido durante uma troca de tiros ou uma prisão em flagrante, mas dentro de uma unidade policial e contra uma pessoa que, segundo a própria investigação, não possuía mandado de prisão e não portava material ilícito no momento da abordagem.

A denúncia descreve uma sequência de atos que vão desde a condução forçada à delegacia até um alegado estrangulamento que teria feito a vítima desmaiar, fatos que agora serão analisados pela Justiça Militar do Rio de Janeiro.

Rabicó manda em São Gonçalo há mais de 30 anos

 


Antonio Ilario Ferreira, conhecido como Rabicó pelos mais velhos e como Coroa pelos mais novos, manda no tráfico de drogas, nos roubos de veículos e nos assaltos na região de São Gonçalo, especialmente na BR-101, uma das áreas mais visadas pela criminalidade.

Rabicó é apontado como um dos principais integrantes do Comando Vermelho no Brasil e teria condenações que somam mais de 27 anos. Segundo as apurações, ele foi preso preventivamente por ordem da 44ª Vara Criminal da Capital, no processo número 0253799-15.2023.8.19.0001.

Na mesma ocasião, também foram decretadas as prisões de outros 20 réus, pela prática de crimes como tráfico de drogas, roubos e outros delitos.

A Sétima Câmara Criminal do Rio de Janeiro revogou a custódia preventiva de Rabicó no habeas corpus número 0024153-05.2017.8.19.0000. O entendimento foi de que, embora ele fosse integrante do Comando Vermelho, teria direito de recorrer em liberdade.

Em 2 de abril de 2019, a Sétima Câmara Criminal deu provimento parcial à apelação de Rabicó e determinou que o mandado de prisão só fosse expedido após o trânsito em julgado da condenação.

Antes disso, em 18 de outubro de 2017, o juiz da causa havia mantido Rabicó preso. A defesa recorreu ao STJ, por meio do habeas corpus número 528.671/RJ. Na ocasião, o relator não acolheu o pedido da defesa. Depois, Rabicó foi ao Supremo Tribunal Federal com o habeas corpus 174965, sob o argumento de que a Sétima Câmara havia condicionado a expedição do mandado de prisão ao trânsito em julgado e de que não houve recurso do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

O relator do habeas corpus no Supremo, ministro Marco Aurélio Mello, deferiu a liminar em 30 de outubro de 2019. Rabicó, então, voltou a ficar livre em São Gonçalo.

Posteriormente, a turma do Supremo não conheceu do habeas corpus, com voto vencido do relator. Mas Rabicó já havia sido colocado em liberdade. E, nesse ponto, a sociedade já havia perdido.

Nos últimos cinco anos, ele nadou de braçadas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. As quadrilhas que atuam naquela região conseguem tirar o sono de quem pensa em ir ao Rio de carro.

No último dia 28, a ex-esposa de Rabicó foi presa com mais 20 pessoas, todas ligadas ao Complexo do Salgueiro. Segundo as investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro, ela teria movimentado cerca de R$ 500 milhões.

O negócio usado para lavar o dinheiro do tráfico seria o ferro-velho e a reciclagem de lixo.

À noite, começaram a circular nas redes sociais áudios de supostas conversas entre Rabicó e seus prepostos no crime. Em uma delas, ele não demonstrava satisfação com o valor dos veículos roubados na BR-101 e em outros pontos de sua área de atuação. Rabicó pediu que procurassem roubar veículos mais novos, de maior valor agregado.

Em outro áudio, ele supostamente enviava uma mensagem a um eventual concorrente que estaria invadindo sua área. Nesse trecho, Rabicó dá uma lição a esses CEOs de Harvard. Ele demonstra segurança, objetividade e leitura do próprio território.

Não busca confronto direto. Apresenta-se como dono do negócio e lembra que gasta para se manter no local e sustentar o próprio reinado. O cara é desenrolado. Talvez seja por isso que manda em São Gonçalo há mais de 30 anos e nunca precisou pedir voto a ninguém, pelo que se sabe até agora.

Em regra, esse tipo de atividade profissional dura pouco. Rabicó, no entanto, já tem 61 anos.

Nos últimos cinco anos, São Gonçalo elegeu um capitão da Polícia Militar como prefeito. O filho dele, policial civil, também ocupou secretaria no governo de Cláudio Castro, que comandou o Estado do Rio e depois foi declarado inelegível pelo TSE. Mesmo nesse cenário, Rabicó seguiu mandando nos arrastões da BR-101.

Sem arrecadação, o Estado não consegue enfrentar o poder de Rabicó e de outros integrantes das organizações criminosas do Rio. 

Nos últimos dias, o Rio registrou dois episódios envolvendo a morte de policiais que perderam a vida defendendo a sociedade. O caso mais grave foi a execução do subtenente André Luiz Cardoso Eccard, na comunidade da Covanca, no Rio. Também morreu o investigador e piloto de helicóptero Felipe Marques Monteiro.

Houve ainda o erro das forças de segurança no Complexo do Salgueiro, onde dois moradores perderam a vida. Eram pedreiros, trabalhadores.

O governador em exercício, Ricardo Couto, já adotou providências de ordem material e determinou à Procuradoria do Estado que agilize o pagamento de indenizações às famílias das vítimas. Não resolve tudo, mas mostra que, quando há um governador engajado com o bem comum, o Estado consegue ser menos perverso.

PF impede que 33 pistolas cheguem ao Rio de Janeiro

 


A inteligência da Polícia Federal no Rio de Janeiro desarticulou neste domingo (31) um carregamento de armas que tinha como destino comunidades dominadas por facções criminosas na cidade. Um cidadão paraguaio foi preso na Rodovia Castelo Branco, em Porto Feliz, interior de São Paulo, transportando 33 pistolas, 15 carregadores para fuzil e 28 carregadores para pistolas, todos oriundos do Paraguai.

A operação foi conduzida pela Delegacia de Repressão a Drogas da PF no Rio de Janeiro em conjunto com o Grupo de Investigações Sensíveis da PF em São Paulo, com apoio da Polícia Militar paulista. O trabalho de inteligência identificou a rota e o destino do armamento antes que ele chegasse ao Rio — trajeto que passaria pelo sul fluminense.

A ação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa alinhada às diretrizes da ADPF 635 do Supremo Tribunal Federal, com foco na desarticulação logística e financeira de organizações criminosas e no bloqueio de rotas de tráfico de armas e drogas.

O preso e todo o material apreendido foram encaminhados à Delegacia da PF em Sorocaba, onde foi lavrado o auto de prisão em flagrante por tráfico internacional de armas de fogo. O paraguaio permanece à disposição da Justiça.

PMs são denunciados por estrangular homem até desmaiar dentro de delegacia no RJ

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