segunda-feira, 11 de maio de 2026

“Ruiva do Job” é presa em operação contra facção ligada ao TCP no DF

 


Cabelos vermelhos, armas de grosso calibre e maços de dinheiro exibidos nas redes sociais. O perfil de Kethlen Eduarda Hermisofe de Souza, conhecida como “Ruiva do Job”, se tornou uma das principais peças da investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) contra uma organização criminosa atuante em Samambaia Norte.

Kethlen foi presa preventivamente durante a Operação Eiron, deflagrada na madrugada da última quarta-feira (6/5), e é apontada pelos investigadores como integrante ativa de um esquema de tráfico de drogas e associação criminosa. Segundo a apuração da 26ª Delegacia de Polícia, a mulher conciliava a produção de conteúdo adulto com participação direta nas atividades do grupo.

À polícia, ela afirmou que mantinha perfis em plataformas de conteúdo adulto para venda de fotos e vídeos eróticos, negando qualquer relação com prostituição ou tráfico de drogas.


As publicações feitas nas redes sociais, no entanto, passaram a ser monitoradas pelos investigadores. A ostentação de dinheiro, armamentos e símbolos ligados ao crime organizado ajudou a PCDF a mapear a atuação do grupo.

Ao todo, 14 pessoas foram presas durante a megaoperação, que mobilizou cerca de 200 policiais civis para cumprir 39 mandados judiciais no Distrito Federal.

De acordo com a investigação, a organização criminosa adotava estratégias semelhantes às utilizadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa do Rio de Janeiro. Além do tráfico de drogas, o grupo buscava ampliar influência nas comunidades por meio de ações sociais, como distribuição de cestas básicas, brinquedos, bolos e realização de festas em datas comemorativas.

Segundo os investigadores, a intenção era conquistar apoio popular e dificultar denúncias contra o tráfico. “Eles tentavam substituir a presença do Estado por uma falsa rede de proteção social”, afirmou um dos policiais envolvidos na operação.

Outro ponto que chamou atenção da polícia foi a presença da Estrela de Davi pichada em muros e residências de Samambaia. O símbolo é associado a Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como “Peixão”, apontado como líder do TCP no Rio de Janeiro.

Para os investigadores, a utilização da marca representa tentativa de reproduzir no Distrito Federal o modelo criminoso conhecido como “Complexo de Israel”, implantado pela facção em comunidades fluminenses.

A PCDF também identificou um esquema de “tráfico moderno”, realizado por meio de aplicativos de mensagens e cardápios virtuais. Os entorpecentes eram oferecidos por delivery e entregues escondidos em embalagens de fast-food. Entre as drogas comercializadas estavam crack, cocaína, skunk, dry e ice.

As investigações ainda apontam a existência de um “tribunal do crime” utilizado para punir integrantes que descumprissem regras da facção. Um dos investigados foi encontrado morto no Lago Paranoá, em fevereiro de 2026, caso que segue sob investigação e pode ter ligação com a organização.

Os presos poderão responder por tráfico de drogas, organização criminosa armada e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas podem ultrapassar 35 anos de prisão.

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