A "Equipe do RD" (também conhecida formalmente nas investigações como "Tropa do RD" ou "Os Crias") é uma organização criminosa que atua como um braço armado do Comando Vermelho (CV). O grupo ganhou notoriedade na Segurança Pública do Rio de Janeiro pela violência e pela estratégia de expansão territorial na Zona Oeste da capital.
Liderança e Origem
O Chefe:
O grupo é liderado por Rodney Lima de Freitas, conhecido pelos vulgos de "RD", "RD do Barbante" ou "Gaguinho". Ele tem cerca de 22 anos e é considerado foragido da Justiça pelo Disque Denúncia.
A Transição (Troca de Lado):
RD era originalmente um miliciano. Ele atuava como soldado de Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho (ex-chefe da maior milícia do Rio, que se entregou à PF no fim de 2023). Após a queda da cúpula da milícia, RD rompeu com o grupo, foi recrutado pelo tráfico e migrou para o Comando Vermelho.
Territórios de Atuação e Disputas
A quadrilha opera de forma violenta e estruturada visando expulsar milicianos rivais para expandir os pontos de tráfico de drogas do CV. Suas principais bases e áreas de influência incluem:
Favela do Barbante (Inhoaíba)
Vila Kennedy (Bangu)
Comunidade do Catiri (Bangu)
Áreas comerciais e residenciais de Campo Grande, Santa Cruz e Guaratiba.
Método de Operação e Crimes Relacionados
Extorsão "Híbrida": Por ter origem miliciana, a Tropa do RD uniu o tráfico de drogas às práticas de extorsão contra moradores e comerciantes. O grupo cobra taxas de segurança ilegais e monopoliza a venda de insumos básicos (como a "taxa da farinha", água, internet, gás e carvão).
Execuções e Confrontos:
RD é apontado pelas autoridades como o principal articulador de invasões armadas na Zona Oeste, resultando em tiroteios frequentes. Ele foi apontado como suspeito de envolvimento em um confronto que deixou crianças baleadas na saída de uma escola e investigado como mandante da morte de um Policial Militar.
Tática de Guerra e Invasões Territoriais
Uso de Ex-Milicianos como Guias:
A principal vantagem operacional do grupo de Rodney Lima de Freitas (RD) é o conhecimento geográfico. Como o próprio RD e seus soldados estratégicos operavam originalmente na milícia de Luis Antônio da Silva Braga, o Zinho, eles conhecem detalhadamente as rotas de fuga, os pontos de observação e as fraquezas táticas dos paramilitares na Zona Oeste.
Financiamento da Cúpula do CV:
Os ataques armados da Tropa do RD não são isolados. Eles são financiados diretamente pela liderança máxima do Comando Vermelho (CV), que fornece fuzis de última geração, munição e "soldados de reforço" vindos de grandes complexos (como a Vila Kennedy e o Complexo do Alemão) para realizar incursões rápidas e violentas.
Guerra de Atrito (Ações e Reações):
Operando com um núcleo de frente de aproximadamente dez a dezenas de integrantes fixos focados em invasões, o bando é especializado em emboscadas. De acordo com investigações policiais, RD é apontado como executor direto ou mandante em mais de 50 homicídios decorrentes desses confrontos na disputa contra milícias locais, como o grupo PL (Poder Local). No entanto, o grupo também sofre reveses operacionais ao tentar invadir áreas fortificadas por milicianos sem o apoio de blindados, como ocorreu em confrontos no Vilar Carioca.
2. O Modelo de Negócios (Extorsão Híbrida)
Quando a Tropa do RD consegue expulsar os milicianos de uma comunidade ou estabelecer uma "boca de fumo", eles não removem o sistema de taxas abusivas imposto anteriormente aos moradores. Em vez disso, o grupo soma os lucros do tráfico de drogas à manutenção das extorsões paramilitares:
Monopólio de Insumos: Cobrança compulsória sobre a venda e distribuição de botijões de gás, redes clandestinas de internet e TV a cabo (gatonet), e galões de água.
"Taxa da Farinha":
O bando implementou cobranças específicas sobre comércios locais, incluindo padarias e pequenos estabelecimentos, exigindo repasses semanais para permitir o funcionamento do negócio.
3. Logística de Armamento e Proteção
Armamento Modificado: Em operações policiais direcionadas contra as bases operacionais e o braço direito de RD (como o criminoso vulgo "Pulgão"), as forças de segurança apreenderam fuzis altamente modificados, equipados com miras ópticas avançadas, supressores de ruído e kits de conversão para rajadas.
Uso de Veículos Blindados Próprios:
Para transitar entre bairros cortados por áreas rivais na Zona Oeste (como o eixo Bangu, Inhoaíba, Santa Cruz e Campo Grande), a quadrilha utiliza carros de passeio adaptados com chapas de ferro internas (veículos blindados artesanalmente) para resistir a disparos de calibres pesados durante deslocamentos táticos.
A atuação operacional desse grupo na Zona Oeste se destaca pelos seguintes pontos
Áreas de Enfrentamento: O bando concentra ataques violentos nos bairros de Inhoaíba (Favela do Barbante), Bangu (região do Catiri), Santa Cruz (Antares), Campo Grande, Paciência e Cosmos.
A Estratégia de Invasão: O grupo atua como o "puxador de guerra" do Comando Vermelho. Eles utilizam o conhecimento prévio que RD tinha da estrutura das milícias locais (já que ele era ex-integrante do grupo paramilitar de Zinho) para desferir ataques cirúrgicos contra grupos rivais, como a milícia do PL (Poder Local).
A Força de Choque (GAT):
O bando ostenta em redes sociais armamentos pesados — incluindo fuzis com numeração raspada que pertenciam a milicianos que mudaram de facção — batizando o seu núcleo tático de "GAT", imitando a nomenclatura policial.
Composição e Estratégia de Guerra ("Bonde dos Crias")
O Núcleo Fixo:
A Tropa do RD é composta por um grupo tático de cerca de 10 a dezenas de integrantes fixos. Muitos deles também são ex-milicianos que "pularam o muro" junto com o chefe.
Vantagem Tática:
Por terem gerenciado a milícia no passado, eles conhecem perfeitamente a geografia local, as rotas de fuga, os pontos fracos de vigilância e a rotina dos comerciantes da Zona Oeste.
Invasões Financiadas:
O bando atua como a "ponta de lança" do Comando Vermelho para tomar territórios dominados por milícias rivais. Para isso, recebem armamento pesado (fuzis modernos) e soldados de reforço financiados pela cúpula da facção.
Principais Subchefes e "Puxadores de Guerra" (Fora de Circulação)
A polícia desferiu golpes duros na linha de sucessão direta de RD por meio da captura de seus principais articuladores militares e financeiros:
Rafael Luz Souza (vulgo "Rafael Pulgão"):
Atuava como o principal braço direito e líder operacional da Tropa do RD nas ruas. Ex-policial civil e ex-chefe de milícia, ele usava sua experiência tática para coordenar os confrontos armados e ameaçar agentes públicos. Ele foi preso em flagrante pelas forças de segurança durante os desdobramentos da Operação Contenção.
Carlos Antônio Gomes Junior (vulgo "Bradock"):
Era outra liderança de primeiro escalão responsável diretamente por financiar e organizar a expansão territorial do Comando Vermelho na Zona Oeste. Ele coordenava invasões violentas em comunidades como a Favela da Carobinha (Campo Grande) e Santa Cruz, além de ser investigado pelo latrocínio de um policial penal. Ele também foi capturado pela Polícia Civil.
O Conselho Superior (Patrocinadores do Grupo)
Embora Rodney (RD) tenha autonomia operacional na Zona Oeste, a sua tropa responde diretamente à cúpula máxima do Comando Vermelho, que fornece o aporte de fuzis e soldados de reforço:
Edgar Alves de Andrade (vulgo "Doca" ou "Urso"):
Uma das principais lideranças gerais da facção nas ruas, apontado como o grande avalista e financiador da Tropa do RD para desalojar milicianos na Zona Oeste.
Armas principais no arsenal do grupo:
Vídeo da 'Equipe do RD' operando https://x.com/i/status/1866824323924890114
Fuzis de Assalto (Armamento de Guerra)
Fornecidos pela cúpula da facção para garantir o sucesso das invasões territoriais contra milicianos, os fuzis são as armas de primeira linha do grupo:
Fuzis Plataforma AR-15 / M4 (Calibre 5.56 mm):
São os mais comuns nas imagens de monitoramento. Leves e altamente precisos para combates urbanos em média distância.
Fuzis AK-47 (Calibre 7.62 mm):
Utilizados pelo alto poder de destruição e grande resistência. São as armas preferidas dos "puxadores de guerra" durante invasões em áreas de mata ou de difícil acesso.
Fuzis FAL (Calibre 7.62 mm):
Armas longas de calibre pesado, frequentemente capturadas com numeração raspada, muitas vezes roubadas ou tomadas de milicianos rivais.
2. Acessórios e Modificações
Táticas
Diferenciando-se de criminosos comuns de outras favelas, o grupo de Rodney Lima de Freitas (RD) emprega acessórios avançados que demonstram treinamento tático (influência da bagagem paramilitar de seus líderes):
Miras Óticas e Holográficas (Red Dots):
Equipamentos acoplados aos fuzis para permitir visada e disparos rápidos em movimento.
Supressores de Ruído (Silenciadores):
Utilizados prioritariamente pelo bando em ataques surpresa noturnos para neutralizar sentinelas e milicianos sem alertar equipes policiais próximas.
Carregadores de Alta Capacidade (Tambores / "Goiabadas"): Carregadores circulares que comportam de 50 a 100 projéteis, garantindo volume de fogo contínuo para conter reações em emboscadas.
3. Armas Curtas (Pistolas de Combate)
Utilizadas como armas secundárias ou de porte individual diário para a segurança pessoal de lideranças e gerentes de pontos de extorsão:
Pistolas Glock (Calibres 9mm e .40):
Os modelos preferidos devido à confiabilidade e à facilidade de adaptação com o kit "macaquinho" (seletor de rajada), transformando a pistola em uma submetralhadora de mão.
Pistolas Taurus (Calibre 9mm):
Muitas delas oriundas do mercado ilegal ou extraviadas de forças de segurança pública e CACs (Colecionadores, Atiradores e Caçadores).
4. Explosivos e Granadas
Granadas Defensivas e Ofensivas:
Empregadas massivamente em esquinas estratégicas para interromper o avanço de carros blindados da polícia (caveirões) ou de milicianos, além de servirem para espalhar pânico em ataques a praças ou comércios controlados por rivais.
A tática de combate da Tropa do RD é considerada única pelas agências de inteligência porque ela mistura o terrorismo urbano tradicional do tráfico com as técnicas de guerrilha tática e inteligência da milícia. Como os líderes (incluindo o próprio RD) vieram das fileiras paramilitares, eles não lutam como traficantes comuns.
As investigações policiais e os relatórios de segurança apontam quatro táticas de combate específicas utilizadas pelo grupo:
1. Invasão por "Cavalaria Mecanizada" de Blindados ArtesanaisPara tomar territórios de milícias rivais na Zona Oeste, o grupo não avança a pé pelas matas. Eles criaram uma tática de deslocamento rápido usando carros clonados e blindados artesanalmente (apelidados pela polícia de "caveirões do tráfico").
A técnica:
Eles soldam chapas grossas de aço por dentro das portas e dos bancos de carros de passeio comuns.
O objetivo:
Os comboios da Tropa do RD entram nas principais vias das comunidades rivais em alta velocidade. As chapas de ferro protegem os criminosos dos disparos de milicianos que fazem a segurança das esquinas, permitindo que o bando desembarque já no coração do território inimigo.
2. Ataques Noturnos com Silenciadores ("Operações Cirúrgicas")
Diferente de outras facções que invadem comunidades promovendo intensos tiroteios para espalhar pânico, a Tropa do RD frequentemente utiliza a tática do elemento surpresa com armamento silenciado.
A técnica: Pequenos grupos táticos (de 4 a 6 homens) entram nas comunidades de madrugada equipados com fuzis e pistolas com supressores de ruído (silenciadores).
O objetivo:
Eles executam os "olheiros" e os chefes locais da milícia em suas próprias casas ou postos de vigilância sem fazer barulho. Quando o restante da milícia percebe, as principais lideranças locais já foram eliminadas e o território foi tomado sem que a polícia fosse acionada pelo som dos tiros.
3. Uso do GAT (Grupo de Ação Tática) Espelhado na Polícia
O núcleo de frente de Rodney Lima de Freitas se autodenomina "GAT". Eles mimetizam o comportamento, as roupas e as comunicações das forças de segurança.
A técnica:
Vídeo : Equipe RD no Largo do Correa https://x.com/i/status/1964483255543222358
Os criminosos utilizam fardamento militar completo (camuflados ou pretos), coletes balísticos de alta proteção e comunicam-se via rádios transmissores com frequências criptografadas.
O objetivo:
Em momentos de confronto, a organização visual e a disciplina tática confundem os moradores e os milicianos rivais, que muitas vezes acham que estão sendo alvo de uma operação oficial da polícia, retardando qualquer reação.
4. Contra Inteligência e "Guerra Psicológica" Digital
A Tropa do RD utiliza as redes sociais e aplicativos de mensagens como uma arma de combate psicológico antes mesmo dos fuzis dispararem.
A técnica:
Eles criam perfis fakes e canais em aplicativos para divulgar vídeos ostentando fuzis modificados, fazendo ameaças diretas a milicianos específicos e anunciando quais bairros serão invadidos.
O objetivo:
Desestabilizar o lado emocional dos rivais. Como muitos milicianos da Zona Oeste operam apenas por dinheiro e não por lealdade cega, essa pressão psicológica faz com que muitos "piquetes" (seguranças da milícia) abandonem seus postos ou fujam antes da chegada do bonde do RD.
Dinâmica:
alertas na inteligência sobre possíveis novas invasões nas localidades conhecidas como "Casinhas" (Tinguí).
2. Retaliação do Estado:
Operação Vila Kennedy (Março de 2026)
O Motivo:
Investigações da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) apontaram que criminosos subordinados a Rodney Lima de Freitas (RD) foram os responsáveis pela execução monitorada do Policial Militar Marcelo José Batista, assassinado na Avenida Brasil devido às guerras do grupo na região do Catiri.
O Desfecho:
Em 18 de março de 2026, uma megaoperação policial ocupou a Vila Kennedy (base operacional da Tropa do RD). A ação visava prender os três executores diretos (vulgos Shell, Coquinho e Branco), resultando em prisões e na neutralização de um dos gerentes de armamento do grupo.
3. Falsas Informações sobre a Morte de "RD" (Março de 2026)
Guerra de Narrativas:
No início de março, páginas ligadas ao crime organizado espalharam intensamente o boato de que o chefe do bando, Rodney ("RD do Barbante"), teria sido morto em um confronto violento com milicianos na Zona Oeste.
Desmentido:
Checagens policiais e do jornalismo investigativo confirmaram que a informação não procedia. Trata-se de uma tática de desinformação (guerra psicológica), e as autoridades reforçaram que ele permanece foragido e operando o tráfico a partir de complexos de favelas.
Fracasso Tático no Vilar Carioca (Final de 2025)
A Emboscada:
Refletindo o histórico recente de suas ações, o grupo tentou realizar uma incursão terrestre para expulsar paramilitares no Vilar Carioca.
O Resultado:
A ação falhou porque milicianos locais se anteciparam e fecharam um cerco em uma praça. Na fuga desordenada, a Tropa do RD deixou um integrante para trás e perdeu pistolas e carregadores para os rivais.
















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