segunda-feira, 25 de maio de 2026

México: Cartel Jalisco Nova Geração se fragmentou após a prisão de "El Jardinero" e uma guerra interna desencadeou confrontos e bloqueios de rodovias por traficantes em Michoacán.


 O Planalto Purépecha está em alerta máximo após um dia violento de ataques armados, desaparecimentos forçados e bloqueios de estradas relacionados ao narcotráfico em pelo menos cinco municípios da região centro-noroeste de Michoacán. Essa escalada de violência forçou o envio de operações de segurança estaduais e federais.


Segundo fontes de segurança, a crise atual é resultado de uma violenta luta interna pelo poder dentro do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG). A instabilidade teve origem após as prisões, em abril passado, de Audias Flores Silva, vulgo "El Jardinero" (identificado como sucessor de Nemesio Oseguera Cervantes, "El Mencho"), e de seu operador financeiro, César Alejandro, vulgo "El Güero Conta". Fontes de inteligência indicam que diversas células criminosas foram excluídas dos novos acordos de distribuição territorial, o que desencadeou os ataques atuais.


A violência contra as comunidades indígenas de Michoacán aumentou drasticamente desde o início de maio, visando principalmente as forças de segurança comunitárias:

6 de maio (Chilchota): Homens armados invadiram a comunidade de Acachuén, matando dois idosos.

17 de maio (Nahuatzen): Um ataque contra a guarda comunitária de Sevina resultou na morte de dois kuarichas (guardas indígenas).

17 de maio (Paracho): Moradores da comunidade de La Cantera relataram o sequestro de dez pessoas por um grupo armado.


Devido ao ataque de domingo, as aulas foram totalmente suspensas em Sevina na segunda-feira. Ex-líderes comunitários suspeitam que o ataque não tenha sido motivado por um conflito direto, mas sim pela localização geográfica estratégica da comunidade, que serve como importante rota de trânsito para Pátzcuaro, Cherán e Zamora.

O Centro de Comando, Controle, Comunicações, Informática e Atendimento ao Cidadão (C5) do Governo do Estado confirmou interrupções no trânsito na região devido a bloqueios em pontos estratégicos. Entre as estradas afetadas estão a rodovia Carapan-Zacapu, perto da comunidade de Acachuén; a rodovia Jacona-Los Reyes, perto da comunidade de La Cantera; o trecho San Juan Tumbio-Carapan, em Sevina; a rodovia Carapan-Cocuho, perto da comunidade de El Coyote; e a rodovia Patamban-San Isidro, aproximadamente um quilômetro após Patamban.


Confrontos intensos também foram relatados nas proximidades dos municípios de Los Reyes e Charapan. Neste último caso, a prefeitura emitiu um comunicado urgente pedindo à população — especialmente aos moradores de Cocucho — que mantenham a calma enquanto as operações interinstitucionais dos três níveis de governo continuam.

Pavel Guzmán Macario, porta-voz do Conselho Supremo Indígena de Michoacán (CSIM), alertou que, nos últimos dois anos, as comunidades indígenas sofreram quase 20 ataques armados perpetrados pelo crime organizado, impactando severamente cidades como Sevina, Acachuén, Cherán, Santa Fe de la Laguna e Ocumicho.

O porta-voz e as autoridades locais criticaram duramente a administração do governador Alfredo Ramírez Bedolla, apontando para a gestão deficiente da crise. Apesar do compromisso do governador em estabelecer uma Base Operacional Interinstitucional em Sevina, a promessa ainda não se concretizou. O CSIM alega que os processos de treinamento e certificação para as patrulhas comunitárias estão avançando a passos de tartaruga. Quase 40% dessas forças de segurança não possuem armamento formal. O governo estadual reconhece apenas 50 patrulhas comunitárias pertencentes a aldeias autônomas, deixando as 450 comunidades indígenas restantes em um limbo jurídico e desprotegidas.

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