A Polícia Civil do RJ iniciou, nesta quarta-feira (6), mais uma fase da Operação Contenção, contra a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e a estrutura de lavagem de dinheiro da facção.
Desta vez, o objetivo é desarticular uma rede de receptação de materiais furtados, como cabos de cobre, a partir de ferros-velhos na região central do Rio de Janeiro. Até a última atualização desta reportagem, 2 homens haviam sido presos.
Segundo as investigações, esse ciclo movimentou R$ 27,4 milhões e abastecia a compra de armas e ajudava na manutenção do domínio territorial da facção. “É mais uma forma de financiamento dessa organização criminosa, que utiliza esses valores justamente para financiar roubos e furtos no Centro, em Santa Teresa e redondezas”, afirmou a delegada Luciana Ribeiro.
Agentes da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) saíram para cumprir 80 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 50 investigados. Além da capital, a ação ocorreu em Niterói, Duque de Caxias, Magé e Italva.
De acordo com a polícia, o grupo tem base nas comunidades do Fallet-Fogueteiro, Prazeres e Morro da Coroa. Dos 50 identificados, 13 já tinham mandados de prisão pendentes e eram considerados foragidos.
Equipes que cumpriam mandados no complexo de favelas foram recebidas a tiros, e um dos agentes foi baleado na mão. Segundo a Polícia Civil, ele teve ferimentos leves. “O agente foi prontamente socorrido, recebeu atendimento médico e passa bem.”
A investigação começou após uma denúncia sobre um ferro-velho ligado ao tráfico de drogas. No avanço das apurações, a polícia identificou que esse e outros depósitos faziam parte de um sistema maior, integrado ao CV.
“Identificamos cerca de 50 alvos envolvidos com o Comando Vermelho que estavam utilizando esse ferro-velho clandestino para ser mais uma forma de arrecadação de valores”, explicou a delegada Luciana Ribeiro.
Segundo os investigadores, o esquema do tráfico tinha chefia, gerência, segurança armada, operadores logísticos, núcleo financeiro e rede de receptação.
A Polícia Civil aponta Paulo Cesar Batista de Castro, o Paulinho Fogueteiro, como chefe da organização criminosa. Outro alvo é Wesley Paes de Souza, ligado ao núcleo financeiro do esquema.
A instituição afirma ainda que parte dos investigados usava redes sociais para exibir armas, drogas, bebidas e dinheiro. O delegado Thiago Neves afirmou ter descoberto uma “governança criminal” do Comando Vermelho que explora “diversas atividades econômicas”. “A gente também conseguiu identificar um ‘delivery online’ em que eles vendiam qualquer tipo de droga abertamente na internet, prometendo entregar em qualquer local do Rio de Janeiro”, destacou.



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