Autoridades cariocas realizaram operação em Marataízes para prender membros da família de milicianos conhecida como ‘Avelinos’. Estiveram também atrás do homem que virou réu da Justiça capixaba pela acusação e dois homicídios. Um deles teve como vítima o vereador bolsonarista Marcos Augusto Costalonga, Marquinhos da Cooperativa (Presidente Kennedy/PL), assassinado em 2021 no Sul do Estado.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, realizou na quarta-feira (01/04) uma operação para cumprir 21 mandados de busca e apreensão contra investigados por montar uma milícia para cometer crimes para a família conhecida como ‘Avelinos’. A ação, que teve apoio das Polícias Civil e Militar do Rio, ocorreu também em cidades do Sul do Espírito Santo, mais notadamente em Marataízes, onde o alvo do MP fluminense foi o miliciano carioca Gilbert Wagner Antunes Lopes, o Waguinho Batman.
Radicado em solo capixaba há mais de 10 anos, Waguinho Batman é réu da Justiça do Espírito Santo em dois processos pela acusação de assassinato. Em um deles, o miliciano é acusado de ser mandante do assassinato do vereador bolsonarista Marcos Augusto Costalonga, Marquinhos da Cooperativa (Presidente Kennedy/PL), crime ocorrido há quase cinco anos. Batman, no entanto, assim como faz com a polícia capixaba, também conseguiu escapar do cerco das autoridades do Rio.
Foragido há mais de dois anos, Waguinho Batman tornou-se notícia na imprensa nacional por alguns motivos que vão além do homicídio. Ele, segundo a CNN – canal de TV e portal de notícias na internet –, estaria ameaçando autoridades capixabas, além de debochar e desafiar o Poder Judiciário e a Polícia Civil do Espírito Santo.
Ao todo, de acordo com o Ministério Público do Estado do Rio, nove integrantes do clã, dentre eles quatro policiais militares e um advogado, foram alvos das ações no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Espírito Santo e no Pará. Entre os alvos está também Felipe Aguiar de Oliveira Filho, o Filipinho Avelino, cuja residência foi alvo de buscas.
De acordo com as investigações, conduzidas em Procedimento Investigatório Criminal (PIC) do Gaeco, há indícios de uma atuação criminosa sistemática e reiterada por parte do grupo, com forte influência em municípios do Sul Fluminense e características típicas de milícia privada.
Entre os crimes apontados estão homicídios já denunciados pelo Ministério Público, tentativas de assassinato, controle territorial, corrupção de agentes públicos e obstrução da Justiça. As apurações indicam ainda que o grupo mantém uma estrutura hierárquica, com divisão de funções, e recorre a práticas como intimidação de testemunhas, ameaças a familiares e eliminação de adversários para impor a chamada “lei do silêncio”.
Segundo os promotores de Justiça do Gaeco do Rio, a atuação da família remonta à década de 1930, com registros de quatro gerações envolvidas em mais de 50 homicídios. No total, 29 endereços foram vasculhados por promotores de Justiça, com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil. No Estado do Rio, as diligências ocorrem na capital e nos municípios de Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e Três Rios.
Durante a operação, foram apreendidas armas e munições. Diante do histórico de violência, da intimidação de autoridades e das tentativas de obstrução, o GAECO passou a concentrar as investigações criminais relacionadas ao grupo.

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