quinta-feira, 2 de abril de 2026

'Waguinho Batman' dribla cerco feito pelo Gaeco fluminense e a polícia do Rio no Espírito Santo

 Autoridades cariocas realizaram operação em Marataízes para prender membros da família de milicianos conhecida como ‘Avelinos’. Estiveram também atrás do homem que virou réu da Justiça capixaba pela acusação e dois homicídios. Um deles teve como vítima o vereador bolsonarista Marcos Augusto Costalonga, Marquinhos da Cooperativa (Presidente Kennedy/PL), assassinado em 2021 no Sul do Estado.


O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, realizou na quarta-feira (01/04) uma operação para cumprir 21 mandados de busca e apreensão contra investigados por montar uma milícia para cometer crimes para a família conhecida como ‘Avelinos’. A ação, que teve apoio das Polícias Civil e Militar do Rio, ocorreu também em cidades do Sul do Espírito Santo, mais notadamente em Marataízes, onde o alvo do MP fluminense foi o miliciano carioca Gilbert Wagner Antunes Lopes, o Waguinho Batman.

Radicado em solo capixaba há mais de 10 anos, Waguinho Batman é réu da Justiça do Espírito Santo em dois processos pela acusação de assassinato. Em um deles, o miliciano é acusado de ser mandante do assassinato do vereador bolsonarista Marcos Augusto Costalonga, Marquinhos da Cooperativa (Presidente Kennedy/PL), crime ocorrido há quase cinco anos. Batman, no entanto, assim como faz com a polícia capixaba, também conseguiu escapar do cerco das autoridades do Rio.

Foragido há mais de dois anos, Waguinho Batman tornou-se notícia na imprensa nacional por alguns motivos que vão além do homicídio. Ele, segundo a CNN – canal de TV e portal de notícias na internet –, estaria ameaçando autoridades capixabas, além de debochar e desafiar o Poder Judiciário e a Polícia Civil do Espírito Santo.

Ao todo, de acordo com o Ministério Público do Estado do Rio, nove integrantes do clã, dentre eles quatro policiais militares e um advogado, foram alvos das ações no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, no Espírito Santo e no Pará. Entre os alvos está também Felipe Aguiar de Oliveira Filho, o Filipinho Avelino, cuja residência foi alvo de buscas.

De acordo com as investigações, conduzidas em Procedimento Investigatório Criminal (PIC) do Gaeco, há indícios de uma atuação criminosa sistemática e reiterada por parte do grupo, com forte influência em municípios do Sul Fluminense e características típicas de milícia privada.

Entre os crimes apontados estão homicídios já denunciados pelo Ministério Público, tentativas de assassinato, controle territorial, corrupção de agentes públicos e obstrução da Justiça. As apurações indicam ainda que o grupo mantém uma estrutura hierárquica, com divisão de funções, e recorre a práticas como intimidação de testemunhas, ameaças a familiares e eliminação de adversários para impor a chamada “lei do silêncio”.

Segundo os promotores de Justiça do Gaeco do Rio, a atuação da família remonta à década de 1930, com registros de quatro gerações envolvidas em mais de 50 homicídios. No total, 29 endereços foram vasculhados por promotores de Justiça, com apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Rio de Janeiro e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil. No Estado do Rio, as diligências ocorrem na capital e nos municípios de Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e Três Rios.

Durante a operação, foram apreendidas armas e munições. Diante do histórico de violência, da intimidação de autoridades e das tentativas de obstrução, o GAECO passou a concentrar as investigações criminais relacionadas ao grupo.


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