A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, pediu uma investigação após a morte de dois agentes de inteligência dos EUA em uma aparente operação de combate ao narcotráfico no estado de Chihuahua, no norte do país.
O embaixador dos EUA no México, Ronald Johnson, anunciou as mortes dos agentes como sendo de “dois funcionários da Embaixada dos Estados Unidos”, mas autoridades americanas posteriormente os identificaram ao New York Times e ao Washington Post como membros da Agência Central de Inteligência (CIA). Eles morreram junto com dois agentes mexicanos da Agência de Investigação do Estado de Chihuahua (AEI) em um acidente de carro quando retornavam de uma operação antidrogas no município de Morelos, no domingo.
Sheinbaum afirmou na segunda-feira que seu governo “desconhecia qualquer colaboração direta entre o estado de Chihuahua e funcionários da Embaixada dos EUA no México” e que estava “investigando o que essas pessoas estavam fazendo e para qual agência trabalhavam”.
“A relação é federal, não estadual”, disse ela. “Eles devem ter autorização do governo federal para essa colaboração, que necessariamente ocorre em nível estadual, conforme estabelecido pela Constituição.”
O pedido de Sheinbaum por uma investigação reacendeu um debate polêmico sobre o alcance do envolvimento dos EUA no México. Embora não seja incomum que autoridades americanas estejam envolvidas no treinamento das forças de segurança mexicanas, a presença direta dos EUA no México tem sido um ponto de discórdia desde a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA.
Assim como fez com Maduro antes dessa operação, o presidente Donald Trump pressionou Sheinbaum e seu governo para reprimir os cartéis a fim de interromper o fluxo de drogas ilícitas para os EUA, aumentando a possibilidade de ação militar caso ela não o faça a contento.
A CIA intensificou sua colaboração com o México como parte desse esforço. Sheinbaum disse no ano passado que os EUA estavam realizando voos de vigilância com drones no país a seu pedido, e o diretor da CIA, John Ratcliffe, alocou novos recursos para o trabalho de combate aos cartéis na região da fronteira EUA-México no início de 2025.
Felbab-Brown acredita que Sheinbaum pode estar utilizando a notícia do envolvimento de funcionários da CIA como moeda de troca nas negociações em andamento relacionadas ao Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). O USMCA está programado para uma "revisão formal" conjunta em julho de 2026.
"A solução mais fácil teria sido simplesmente dizer: 'Bem, esta foi apenas uma missão de treinamento', mas ela optou por fazer um alarde muito maior por razões políticas internas e, potencialmente, como moeda de troca com os EUA", diz ela.
O procurador-geral de Chihuahua, César Jáuregui, disse no domingo que os funcionários estavam dirigindo no meio da noite quando o carro "aparentemente derrapou em algum momento e caiu em uma ravina, explodindo". Ele também afirmou que os promotores estaduais vinham trabalhando com o exército federal mexicano há meses em uma investigação conjunta sobre laboratórios de drogas em Morelos.



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