Apenas nos primeiros minutos do domingo, 26 de abril, o som de armas de grosso calibre tira o sono dos moradores de uma área central de Tapachula. Homens armados chegaram ao bar El Hormiguero e, em seu ataque, deixaram três frequentadores mortos e pelo menos sete feridos, alguns deles em estado grave. Todo o incidente durou apenas um minuto e meio, após o qual fugiram em um carro compacto. O ataque armado trouxe de volta a Chiapas o terror vivenciado em 2014 e 2015, quando o crime organizado tomou descaradamente municípios inteiros com a cumplicidade das autoridades. Embora a atual administração de Eduardo Ramírez Aguilar se vanglorie do retorno da paz a um estado que tem sido usado por células criminosas para o trânsito de migrantes e drogas, a luta pelo controle territorial entre os cartéis voltou às ruas.
Este ataque criminoso é o segundo em menos de 12 dias na cidade de Tapachula, no sudeste de Chiapas, a segunda cidade mais importante do estado e porta de entrada para o México a partir da América Central. Onze dias antes, em 15 de abril, quatro homens encapuzados em um sedã branco chegaram à entrada principal do bar La Perla, localizado em um complexo de bares e casas noturnas chamado Plaza Cafeto, onde abriram fogo com armas de grosso calibre, ferindo gravemente uma mulher cubana. Dias depois, em um vídeo divulgado pela Procuradoria-Geral do Estado, os atiradores podem ser vistos saindo do carro, correndo em direção à entrada, deixando um pedaço de papelão para trás, e então saindo rapidamente antes de abrir fogo. O procurador-geral Jorge Luis Llaven Abarca afirmou no mesmo vídeo que policiais municipais de Tapachula estavam sendo investigados por possível conluio com os criminosos. A gravação mostra os policiais estacionando perto do bar, esperando a chegada do veículo com os homens armados e, essencialmente, escoltando os criminosos enquanto realizavam o ataque. Após a investigação inicial, três homens e uma mulher foram presos, incluindo os policiais municipais Exal Armando e Marvin Valentino, acusados de negligência no local. Desde então, Tapachula vive uma espécie de cerco, com estabelecimentos operando com capacidade reduzida pela metade devido ao medo de novos episódios de violência.
A disputa entre o crime organizado não se limita ao Cartel Jalisco Nova Geração e ao Cartel de Sinaloa. Ambos os grupos estão tentando expandir seu alcance para além do que conseguiram conquistar durante os meses de conflito no estado. O governo de Chiapas reconheceu que grupos criminosos buscam ampliar seu controle sobre a venda e distribuição de drogas, bem como sobre a extorsão, em mais municípios. Consequentemente, bares e casas noturnas se tornaram alvos principais da atividade criminosa. Segundo as autoridades, a resistência à colaboração com organizações criminosas tem alimentado a violência nesses estabelecimentos em todo o estado. Essa tem sido a hipótese predominante desde o ataque que sinalizou o início de uma nova onda de agressão, medo e tiroteios nas ruas de Chiapas. O incidente ocorreu em 12 de abril no município de Ocozocoautla, na região central, a apenas 48 quilômetros da capital, Tuxtla Gutiérrez.
Homens fortemente armados invadiram o bar El Profe, localizado no bairro El Caracol, e abriram fogo contra os presentes. Quatro homens morreram no tiroteio, incluindo um conhecido atleta de Chiapas que estava socializando no estabelecimento. O Ministério Público informou que houve progresso na investigação e na identificação dos autores dos assassinatos de Leonel N., 22; Alexander N., 28; Bartolo N., 47; e Wilfrido N., 44. Segundo o órgão, os autores vieram de Berriozábal, município vizinho, chegaram ao bar de motocicleta, permaneceram lá por cerca de uma hora, identificaram as vítimas, realizaram o ataque e fugiram. "De acordo com as linhas de investigação, o incidente está relacionado a uma disputa sobre tráfico de drogas no município", observou o órgão de justiça. Os três ataques, que ocorreram em menos de 15 dias, levaram os empresários do setor a reforçar a segurança em cidades como Tapachula, Tuxtla Gutiérrez, Comitán de Domínguez, Palenque, Ocosingo, Huixtla, San Cristóbal de las Casas e outras localidades, temendo uma nova onda de violência.




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