A tranquilidade da região da Costa Chica, em Guerrero, foi quebrada na segunda-feira, quando aproximadamente 200 moradores da comunidade de El Charco, no município de Tecoanapa, relataram uma violenta incursão de homens armados. O ataque, que começou por volta das 11h, foi notável pelo uso de tecnologia avançada, já que os agressores empregaram drones para lançar bombas sobre a população civil.
O clima de incerteza se espalhou rapidamente para a cidade vizinha de Los Magueyitos. Por meio de vídeos, fotografias e mensagens de socorro compartilhadas nas redes sociais, os moradores documentaram rajadas de tiros de grosso calibre que atingiram casas e espaços públicos. Segundo os moradores, os homens armados responsáveis pelo ataque mantêm um cerco constante que paralisou a vida cotidiana.
A situação é particularmente crítica para o setor da educação. Um grupo de professores de diferentes níveis de ensino fez um apelo urgente por ajuda. "Estamos presos e nos refugiando em casas particulares; balas atingiram salas de aula e telhados de escolas. Pedimos apoio para garantir nosso bem-estar e poder retornar à sede da prefeitura."
Este surto de violência não é um evento isolado, mas sim parte de uma sangrenta disputa territorial que começou em janeiro passado. A área é palco de um conflito aberto entre o grupo criminoso "Los Ardillos" e a polícia cidadã da União de Povos e Organizações do Estado de Guerrero (UPOEG). Embora um líder da UPOEG tenha indicado que, até o momento, o ataque resultou apenas em danos materiais às fachadas das casas, o impacto psicológico na comunidade é profundo, e há relatos de que esse suposto grupo de civis pertence a um dos cartéis de Guerrero. No entanto, em um vídeo divulgado nos últimos dias, dezenas de pistoleiros do Grupo del Serio (GDS), do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), anunciaram sua chegada a vários municípios de Guerrero, incluindo Tecoanapa. Os homens armados supostamente chegaram para atacar o grupo Los Ardillos.
Após insistentes ligações para o número de emergência 911, um comboio da Secretaria de Defesa Nacional (SEDENA) chegou à área por volta do meio-dia para tentar restabelecer a ordem. Contudo, a chegada dos militares não dissipou o medo dos moradores. Os moradores de El Charco e Los Magueyitos expressaram sua preocupação com a possibilidade de que, uma vez que as forças federais se retirem da área, os pistoleiros retomem os ataques. Portanto, eles exigiram que os governos estadual e federal implementem uma operação de segurança permanente para garantir a paz na região e permitir a evacuação segura dos professores e famílias que permanecem no fogo cruzado.


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