Prints de conversas que circulam nas redes sociais expõem bastidores da guerra entre o Terceiro Comando Puro e o Comando Vermelho em Niterói e levantam suspeitas graves: traficantes teriam oferecido dinheiro a supostos policiais militares para atuar diretamente nos confrontos. Nos diálogos, atribuídos a integrantes do TCP, os criminosos falam abertamente sobre pagamentos para execução de rivais, chamados de “alemão” no vocabulário do tráfico.
“Fala assim, mn, vai te dar 20 mil reais para você ajudar a matar esses caras aí”, diz um traficante a um suposto PM.
“Dá um dinheiro a mais para ele. Ajuda a gente a matar os ‘cães’. Cara, vou dar um dinheiro maior, mas quero ver resultado.”
“Dá cinco por semana para ele, mas tem que matar — 20 mil por mês.”
As mensagens indicam não apenas a tentativa de cooptação de agentes públicos, mas também a existência de metas e recompensas por execuções, em meio à disputa territorial que vem se intensificando na cidade. De acordo com as conversas, o objetivo dos criminosos seria transformar o Fonseca, tradicional área de conflito, novamente em um reduto do TCP.
Em outro trecho, um dos envolvidos afirma que pagaria R$ 10 mil como “mérito” para quem matar rivais e apreender armas. Outro integrante diz que o grupo adversário estaria adotando a mesma prática, indicando uma escalada ainda mais violenta no confronto. Os diálogos também mencionam o uso da “caixinha” da facção — espécie de fundo coletivo do crime — para financiar as ações.
“Irmão, caixinha mandou, meta foi dada. O valor que eles iam dar para o Fonseca. Foi prestado tudo que foi gasto com a caixinha.”
Embora não haja confirmação oficial sobre a autenticidade das conversas ou a identidade dos envolvidos, o conteúdo expõe um padrão já conhecido em disputas entre facções: a profissionalização da violência, com pagamento por metas e tentativa de infiltração ou cooptação de agentes do Estado. Relatos recentes apontam que a disputa entre as duas facções vem provocando mudanças no controle territorial em áreas de Niterói, com episódios de expulsão de criminosos rivais e avanço armado sobre comunidades estratégicas. Há relatos de que o Comando Vermelho teria expulsado o TCP do Complexo do Fonseca. A guerra na cidade se acirrou em novembro. Há trechos de conversas em que traficantes falam que iriam abandonar a guerra com receio de morrerem e da perda de fuzis. Um deles chegou a dizer que a facção perdeu oito fuzis.


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