terça-feira, 21 de abril de 2026

Alvos de operação contra o CV no Vidigal que deixou turistas ‘ilhados’ em mirante são foragidos da Bahia; veja quem são


 A operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro, na comunidade do Vidigal, na Zona Sul, na manhã desta segunda-feira (20), tenta prender os 13 detentos que fugiram do Conjunto Penal de Eunápolis, na Bahia.

A fuga aconteceu em dezembro de 2024. Segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), os detentos se encontram desde então no Rio de Janeiro, sob a proteção do Comando Vermelho (CV).


Entre os foragidos está Ednaldo Pereira dos Santos, conhecido como "Dada", considerado o principal chefe do tráfico nas regiões de Caraíva e Trancoso, distritos turísticos de Porto Seguro, na Bahia. [Veja a lista completa mais abaixo]

De acordo com o órgão de segurança pública, as investigações apontam que os alvos da operação, mesmo foragidos, continuam chefiando à distância, articulando ações criminosas e mantendo vínculos com o tráfico de drogas e outros delitos na Bahia.


A polícia também procura Wallas Souza Soares, conhecido como "Patola", suspeito de chefiar a facção com Dada. Ele não estava preso no Conjunto Penal de Eunápolis quando ocorreu a fuga.

A operação provocou um intenso tiroteio na comunidade do Vidigal. Durante a ação, criminosos interditaram a Avenida Niemeyer com um ônibus atravessado e contêineres da Comlurb. No alto do Morro Dois Irmãos, cerca de 200 turistas ficaram ilhados, sem conseguir descer.

Três pessoas foram presas na operação:


Núbia Santos de Oliveira, esposa do traficante Wallas Souza Soares, o Patola, era procurada apontada como controlador financeira da facção;

Patrick Cesar Tobias Xavier, preso em flagrante com mochilas contendo drogas, roupas camufladas e rádio comunicador. No momento da abordagem, Patrick apresentou uma identidade falsa no nome de Rodrigo Silva. Conhecido como “Bart”, de 38 anos, ele é procurado por mandados de prisão de Goiás. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, é considerado de alta periculosidade com atuação relevante no Comando Vermelho;

Christian Fernandes Rodrigues da Silva, preso em flagrante com um fuzil e uma pistola com a numeração raspada. Ele é natural de Minas Gerais.

Os alvos são:

Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada (chefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis);

As investigações apontam que após a fuga, ele passou a se esconder na Rocinha, em São Conrado. Nos últimos dias, alugou uma casa no Vidigal, comunidade vizinha, e recebeu familiares e amigos para uma festa. Na fuga, deixou parentes e amigos para trás.

Monitorado pelo Ministério Público baiano, Dada teve a movimentação identificada, o que levou à operação no Rio.

Sirlon Risério Dias Silva, conhecido como Saguin (subchefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis);

Altieri Amaral de Araújo, conhecido como Leleu (subchefe da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis);

Mateus de Amaral Oliveira;

Geifson de Jesus Souza;

Anderson de Oliveira Lima;

Fernandes Pereira Queiroz;

Giliard da Silva Moura;

Romildo Pereira dos Santos;

Thiago Almeida Ribeiro;

Idário Silva Dias;

Isaac Silva Ferreira;

William Ferreira Miranda.

Apenas três dos 16 fugitivos foram alcançados

Outros três detentos conseguiram fugir durante a ação e foram alcançados:

Anailton Souza Santos, o Nino, morto em confronto com a polícia em janeiro de 2025 em Eunápolis;

Valtinei dos Santos Lima, conhecido como Dinei, recapturado em setembro de 2025, em Porto Seguro;

Rubens Lourenço dos Santos, conhecido como Binho Zoião (da facção criminosa Primeiro Comando de Eunápolis), morto na megaoperação do Rio de Janeiro, em outubro de 2025.

Participações de diretora e ex-deputado federal na fuga


Durante uma delação premiada feita em fevereiro deste ano, assinada com o Ministério Público da Bahia (MP-BA), a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, disse que facilitou a fuga dos 16 detentos da unidade, a pedido do ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB).

O g1 e a TV Bahia obtiveram acesso ao documento da delação, registrada no dia 9 de fevereiro deste ano. Nele, Joneuma Neres, que ficou presa por mais de um ano, mas deixou o presídio há um mês para cumprir prisão domiciliar, detalhou a participação dela e de outras pessoas no crime.

Durante a delação, Joneuma Neres:

assumiu que tinha conhecimento da negociação e do plano realizado para a fuga dos internos, e agiu com negligência;

confirmou que foi nomeada como diretora do Conjunto Penal de Eunápolis por indicação de Uldurico Júnior, com quem teve um relacionamento amoroso;

disse que a facilitação da fuga aconteceu após Dada aceitar pagar R$ 2 milhões para Uldurico Júnior;

afirmou que o ex-deputado disse a ela que metade do dinheiro seria entregue para o ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB). O político negou envolvimento com o caso.

A fuga aconteceu em dezembro de 2024 e teve repercussão nacional. Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), os detentos fugiram por volta das 23h, do dia 12 de dezembro de 2024.

Segundo o coronel Luís Alberto Paraíso, comandante da Polícia Regional na cidade, a fuga só foi possível porque enquanto os detentos perfuravam o teto de uma cela, um grupo de oito homens armados invadiu o presídio, atirando nos agentes de plantão.

"O grupo criminoso veio de fora do presídio, cortou a grade e começou a atirar nas guaritas. Essa troca de tiro sustentou a fuga dos elementos que desceram por cordas e fugiram pelo matagal".

Durante a ação, os homens mataram um cão de guarda do presídio e abandonaram um fuzil calibre 5.56 — fabricado nos Estados Unidos e sem numeração aparente — no local. Dois carregadores com 57 cartuchos intactos também foram encontrados.

Os foragidos cumpriam penas por tráfico de drogas, associação para o tráfico de drogas e homicídios qualificados.

Romance entre Joneuma e Dada

Joneuma Silva Neres foi presa um mês após o crime, suspeita de facilitar a fuga dos detentos. Ela responde ao processo em prisão domiciliar desde março deste ano.

Ela foi acusada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) de ter uma ligação com a organização criminosa da cidade e de ter se relacionado com Dada. Joneuma esteve à frente a unidade por nove meses e foi a primeira mulher a ocupar este tipo de cargo no estado. No entanto, apesar da representatividade, o que veio à tona após as prisões revela que o conjunto penal estava sob comando do crime organizado.

Conforme informações do processo ao qual a TV Bahia obteve acesso com exclusividade, desde que assumiu o cargo, em março de 2024, a gestora chamou a atenção das autoridades, especialmente pelas regalias dadas aos presos. Segundo informações presentes no documento, ela autorizou a entrada irregular de roupas, freezers, ventiladores e sanduicheiras.

Entre as regalias apontadas no depoimento, está o acesso de visitas. Em depoimento, o coordenador de segurança da unidade, Wellington Oliveira Sousa disse que a esposa de Dada "passou a ingressar no conjunto penal, sem qualquer inspeção, mediante autorização da diretora".

Outros relatos indicaram ainda que Joneuma e Dada viveram um relacionamento amoroso, com relações sexuais dentro do presídio.


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