A defesa de um integrante do Comando Vermelho preso no Rio de Janeiro recorreu à Justiça para tentar impedir sua transferência para um presídio de Minas Gerais, estado de origem do detento. O principal argumento é o risco concreto de morte, tanto para ele quanto para familiares, caso o retorno seja efetivado.
Segundo os autos, o preso é apontado pela polícia mineira como um dos maiores traficantes do estado — apesar de alegar ter rompido vínculos com o crime. Ainda assim, sua associação passada com o Comando Vermelho o tornaria um alvo prioritário de facções rivais que atuam em Minas Gerais, dentro e fora do sistema prisional. Ele foi preso pela Polícia Federal em uma mansão de luxo no Recreio dos Bandeirantes ano passado.
Um dos pontos centrais apresentados no processo envolve um episódio ocorrido em 19 de dezembro de 2023. Na ocasião, durante saída temporária e trabalho extramuros, o filho do detento teria sido alvo de um atentado junto com a ex-esposa. Segundo a defesa, ambos escaparam por pouco de serem mortos. Após o episódio, o filho não retornou ao sistema prisional, sendo posteriormente localizado e também está preso no Rio de Janeiro.
Os advogados também destacam que a família do preso está estabelecida no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio, onde mantém sua principal rede de apoio. Segundo a defesa, o vínculo familiar é ativo, com visitas frequentes ao detento na unidade prisional fluminense.
A decisão de transferência teria sido fundamentada, entre outros pontos, na alegação de insuficiência de vagas no sistema penitenciário do Rio de Janeiro, que enfrenta um déficit estimado em cerca de 15 mil postos. Para a defesa, no entanto, trata-se de uma questão administrativa que não pode se sobrepor ao direito fundamental do preso à integridade física e ao convívio familiar.
Outro argumento apresentado é o cenário de violência em Minas Gerais, descrito como uma “guerra” entre facções. Segundo a defesa, haveria uma aliança entre PCC (Primeiro Comando da Capital), Família AR (AR-118) e TCP (Terceiro Comando Puro), grupos que teriam emitido ameaças diretas contra integrantes do Comando Vermelho — facção predominante na unidade onde o detento está atualmente custodiado no Rio.
Para reforçar o pedido, os advogados anexaram ao processo uma carta escrita por uma familiar, que relata o medo e a angústia diante da possibilidade de transferência, apontando risco real de que membros da família sejam mortos caso retornem a Minas Gerais.

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