Seis policiais militares do Rio de Janeiro foram presos nesta quarta-feira (11) na Operação Contenção Red Legacy por forjar uma apreensão de drogas na Zona Norte da cidade em parceria com a cúpula do Comando Vermelho (CV), segundo investigação da Polícia Civil. O esquema teria envolvido o fornecimento de entorpecentes para simular uma ocorrência policial e atender a metas de produtividade.
O major Hélio da Costa Silva, então comandante da 13ª UPP/16º BPM (Penha), teria solicitado a entrega de 70 quilos de maconha a Washington Cesar Braga da Silva, o Grande, braço direito do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca. A remessa ainda teria sido complementada com outras “cargas velhas”, segundo conversas de WhatsApp analisadas pelos investigadores.
A falsa apreensão ocorreu em 19 de março de 2025, na Rua Iracema, na Penha, a cerca de 500 metros da sede da UPP. Um carro roubado e um simulacro de fuzil AR-15 foram usados para encenar a ocorrência. Dois sargentos registraram o caso como tentativa de homicídio, alegando ter sido atacados por criminosos e revidado com cerca de 20 disparos.
A Polícia Civil constatou que a versão dos policiais não se sustentou. Um vídeo enviado por Grande mostrou os PMs exibindo a droga e o fuzil desmontado, e o laudo pericial confirmou que a quantidade de drogas — mais de 60 quilos de maconha e 2 quilos de cocaína — correspondia ao volume autorizado por Doca. O local não foi preservado para perícia, o que dificultou exames complementares.
Os envolvidos foram indiciados por tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção passiva e fraude processual. Entre os presos estão o major Hélio da Costa Silva, o capitão Reuel de Almeida Silva Fernandes e os sargentos Rodrigo Paiva Lopes e Thiago Monteiro Gomes Marcelino, além de Leandro Oliveira Loiola e Thomás dos Santos Machado. A investigação aponta que o esquema visava simular eficiência policial em troca de tolerância às atividades do CV na Vila Cruzeiro.

Sem comentários:
Enviar um comentário