Um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), revela que o Comando Vermelho (CV) ampliou sua atuação para além do Brasil e consolidou uma rede internacional ligada ao tráfico de drogas, armas e outros crimes. O documento faz parte de investigações que apuram a infiltração do crime organizado na política do Rio de Janeiro. Segundo a PF, integrantes da facção atuam atualmente em Paraguai, Bolívia, Peru e Colômbia, países usados como refúgio por foragidos da Justiça brasileira e também como bases para negociações e logística do tráfico internacional. Conexões com as FARC A investigação também aponta que o Comando Vermelho mantém ligações com grupos remanescentes das antigas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), especialmente em áreas da Amazônia colombiana. De acordo com o relatório, essa cooperação já vinha sendo observada desde a prisão do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, em 2001. Na época, investigações identificaram colaboração entre integrantes da facção brasileira e membros da guerrilha colombiana para facilitar o transporte de drogas e armamentos. Amazônia e tríplice fronteira são corredor do narcotráfico O relatório destaca que a região amazônica tem papel estratégico nas operações da facção criminosa. A tríplice fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia aparece como um dos principais corredores logísticos para o tráfico internacional. Uma das rotas mais utilizadas, segundo a polícia, é a chamada “Rota do Solimões”, que aproveita o Rio Amazonas para transportar drogas produzidas em países vizinhos até a cidade de Manaus. A partir da capital amazonense, os entorpecentes seguem para outras regiões do Brasil e também para o exterior. Facção também atua em crimes ambientais Além do tráfico de drogas, o relatório indica que o Comando Vermelho expandiu suas atividades para crimes ambientais na região amazônica. Entre as práticas identificadas estão a exploração ilegal de ouro, a grilagem de terras, o contrabando de madeira e a lavagem de dinheiro por meio de investimentos em atividades aparentemente legais, como o agronegócio. Segundo a PF, essas atividades funcionam como fontes adicionais de financiamento para a organização criminosa.
A investigação também detalha um esquema estruturado de tráfico internacional de armas envolvendo brasileiros residentes nos Estados Unidos. De acordo com a Polícia Federal, essas pessoas compram peças e munições alegando uso em clubes de tiro ou manutenção de equipamentos. Posteriormente, os componentes são desviados e enviados para o Paraguai, onde as armas são montadas e encaminhadas ao Brasil sem numeração ou registro. Grande parte dos fuzis apreendidos no país apresenta características de montagem com peças que reproduzem modelos da fabricante norte-americana Colt. Os dados da Polícia Federal indicam crescimento nas apreensões de fuzis no Brasil nos últimos anos, com aumento de 28,6% em 2022, 32,9% em 2023 e 12,8% em 2024. Até 2025, 1.396 fuzis já haviam sido apreendidos no país, sendo cerca de 37% no estado do Rio de Janeiro, onde a facção tem forte presença. Para a Polícia Federal, a expansão internacional do CV evidencia a necessidade de maior cooperação entre órgãos de segurança. Ao estabelecer conexões fora do país, a facção amplia rotas do tráfico, diversifica fontes de renda e fortalece sua estrutura, consolidando-se cada vez mais como uma organização criminosa de atuação transnacional.

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