Durante muitos anos existiu a ideia de que as grandes facções nacionais, como o Comando Vermelho e o PCC, não atuavam na região de Minas Gerais.
Em janeiro deste ano, a Polícia Militar do estado chegou a dizer que Minas não tem territórios sob o controle do crime organizado. A declaração foi feita após uma operação na região da Serra, em Belo Horizonte. Na ocasião, um suspeito morreu, outro foi preso e dois fugiram. Segundo o capitão Thiago Ferreira, o conceito de facção criminosa está ligado ao domínio territorial, algo que não aconteceria no estado. “Não há nenhum território em Minas em que dois policiais não possam entrar ou sair a qualquer hora”. A corporação também classificou como exageradas ou imprecisas as informações sobre disputas entre grupos criminosos vindos de outros estados.
Apesar de não controlar territórios, crime se espalha pelo estado
Ainda que as facções não controlem territórios, dados mostram que sua presença vem aumentando. Segundo a Polícia Civil, ao menos 35 organizações criminosas são monitoradas em Minas Gerais. Entre elas, estão diversos grupos locais, porém também há facções de outros estados conhecidas pela atuação nacional. Em Belo Horizonte, há registro da presença do Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando Puro (TCP) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
Presença de facções disparou na última década
A presença dessas facções começou por volta de 2010, mas se intensificou nos últimos cinco anos. A expansão está ligada, entre outros fatores, à posição estratégica do estado, que possui a maior malha rodoviária do país e serve como rota importante para o tráfico. Os números acompanham esse movimento. O total de presos ligados a facções saltou de 1.900 em 2019 para 2.950 apenas no primeiro semestre de 2025. As ocorrências de tráfico também cresceram e chegaram a mais de 30 mil registros entre janeiro e setembro de 2025, um aumento de cerca de 50% em relação ao ano anterior.
Facções locais e se aliam com grupos maiores
Grupos criados em Minas têm se associado a organizações maiores para ampliar sua capacidade operacional. Segundo o delegado Rodrigo Bustamante, essa parceria permite acesso a armas mais potentes e a rotas do tráfico já estabelecidas. Ano passado, um documento que circulou nas redes sociais chamou atenção das autoridades.
Nele, quatro organizações anunciam uma união com o objetivo de “fortalecer ações conjuntas”, entre elas estavam:
PCC,
TCP,
Família Anjo Rebelde;
TDD (Tropa do Douglas ou Tropa da Doideira).
A Secretaria de Justiça e Segurança Pública informou que possíveis conexões entre facções estão sob monitoramento da inteligência. Cada vez mais, as facções tem se espalhado ao redor de todos os estados do Brasil, aumentando seu poder e influência.



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