sábado, 21 de março de 2026

Assassinato de secretário municipal no Ceará foi ordenado por chefe de facção foragido no Rio de Janeiro

 


A morte do secretário de Administração de São Luís do Curu, Ricardo Abreu Barroso, executado na manhã da última quinta-feira (19), foi ordenada por um dos chefes do Comando Vermelho do Ceará, que está foragido no Rio de Janeiro, segundo o inquérito policial que o g1 teve acesso.



Investigações apontaram que Wesley Pereira Balbino, conhecido como "Guaxinim", responsável pelo tráfico de drogas na cidade, arquitetou a trama e recrutou os criminosos envolvidos na execução. A motivação do crime estaria relacionada ao fato de Guaxinim acreditar que a influência política do secretário estivesse ligada à atuação da Polícia Militar na cidade.

Entre os suspeitos recrutados por Wesley, estão Laila Aparecida Rodrigues Meneses, de 18 anos e Gleiciane Barbosa Diniz, de 24 anos, que monitoraram Ricardo Abreu por dois dias e avisaram aos comparsas sobre o momento em que o secretário estava no comércio.


Câmeras de segurança registraram as duas mulheres passando de moto pelo depósito de construção da vítima antes e durante o crime. Elas foram presas nesta sexta-feira (20), em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza.

Na tarde deste sábado (21), Laila e Gleiciane passaram por audiência de custódia no 4º Núcleo Regional de Custódia, em Caucaia, e tiveram as prisões em flagrante convertidas em prisões preventivas. A Justiça também autorizou a quebra de sigilo dos telefones das duas.

Dois dias antes do assassinato de Ricardo Abreu, Wesley Guaxinim entrou em contato com Laila pelo WhatsApp. A jovem já havia namorado um dos integrantes da mesma facção criminosa, que atualmente está preso.

Nessas mensagens, Wesley mandou Laila "ficar de olho em Ricardo Abreu e avisar quando ele estivesse pelo depósito".

Os pedidos seguiram até o dia do crime, quando Wesley mandou mensagens e ligou insistentemente para que Laila fosse à casa de Gleiciane, o que foi feito.

As duas saíram de moto e deram voltas no entorno do comércio do secretário municipal. Ao avistarem o alvo, Laila enviou uma mensagem para Wesley Guaxinim sobre o paradeiro da vítima, recebendo como resposta do criminoso apenas "tá certo".

Logo em seguida, outros suspeitos chegaram ao local em um carro, dois deles desceram e mataram Ricardo Abreu no interior do comércio, na frente de um dos filhos e de um conhecido.

Após a conversa, Laila destruiu o chip que usou para falar com o suspeito e seguiu para a casa da mãe de Gleiciane, onde as duas tomaram café da manhã. Ao ver a movimentação da polícia na cidade, elas fugiram para Caucaia.

Horas antes de matar o secretário, um grupo, formado por cerca de cinco indivíduos, invadiu um sítio e rendeu os moradores, passando a aguardar as informações sobre o paradeiro da vítima, que foram colhidas por Laila e Gleiciane.

Depois de receberem informações sobre a exata localização da vítima, quatro suspeitos pegaram o carro de um dos reféns para ir até o depósito.

Enquanto isso, um criminoso permaneceu no sítio, para garantir que os reféns não pudessem pedir ajuda. Depois do crime, os suspeitos fugiram e o veículo roubado foi abandonado.

Ricardo já havia sido ameaçado por Wesley Guaxinim por conta da atuação da Polícia Militar em São Luís do Curu, que levou ele e outros comparsas a fugirem da cidade.

O criminoso acreditava que a influência política do secretário tivesse contribuído para ações do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio), da Polícia Militar, prejudicando a facção criminosa na cidade.

Em 2024, o carro de Ricardo foi atingido por vários disparos, mas ele não ficou ferido. Um familiar da vítima também teve a casa atingida por tiros. Posteriormente, Guaxinim seguiu com as ameaças, uma delas citava diretamente a atuação do Raio.

"Se não tirar o Raio de São Luís do Curu, os tiros não vão ser mais nas casas".

Segundo as investigações, a situação se agravou após a morte de Uesclei Pereira Balbino, conhecido como "Gringo", ocorrida no dia 12 de março. O homem é irmão de Wesley Guaxinim e foi ferido em uma troca de tiros com policiais, durante um cumprimento de mandado de prisão preventiva contra o suspeito, em Fortaleza.

Além da morte de Uesclei Gringo, a polícia prendeu José Igor Sousa Meneses, o "Keka", apontado como braço direito de Guaxinim em São Luís do Curu.

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