A Polícia Civil encerrou as buscas pela cabeça de um corpo masculino encontrado carbonizado e decapitado em um sítio em Meaípe, Guarapari, e identificado por um irmão da vítima como sendo de Dante Brito Michelini, 76 anos, o Dantinho Michelini.
Pescadores de Meaípe foram procurados por policiais durante o dia e emprestaram puçás para que os agentes dessem buscas na piscina da propriedade. A piscina foi esgotada e tudo o que os servidores encontraram foram duas tartarugas.
Dantinho, Paulinho Helal e Dante Michelini
Dantinho Michelini foi apontado pela Polícia, junto com Paulo Constanteen Helal, o Paulinho Helal, de terem dopado, estuprado e matado a menina. Dante Michelini, pai de Dantinho, foi acusado de ter escondido a menina durante dias no bar Franciscano, da família, no início da Praia de Camburi. O mistério sobre o caso continua. Durante muito tempo se falou no Espírito Santo sobre a “madição de Aracelli”, com a morte de pessoas envolvidas no caso, especialmente nas investigações. Inclusive o deputado Clério Falcão, que era investigador de Polícia, se projetou no caso e se elegeu para a Assembleia Legislativa. Conforme a Tribuna Norte-Leste noticiou em primeira mão e com exclusividade na manhã desta quarta-feira (04.02), o corpo foi encontrado caído ao lado da casa, totalmente destruída, no sítio onde o homem morava sozinho. Parte da casa tinha sido queimada e o corpo, vestido com uma bermuda, também tinha sinais de carbonização. A confirmação técnica de que se trata de Dantinho Michelini somente será feita após exames bioquímicos e, possivelmente, de DNA pela Polícia Técnica Científica, mas um irmão fez o reconhecimento na Polícia Civil. Dantinho, 76 anos, morava sozinho no sítio. Ao lado do corpo, foram encontrados documentos com o nome de Dante Brito Michelini, nascido em 1950.
Araceli Cabrera Sánchez Crespo, de oito anos de idade, foi assassinada em 18 de maio de 1973. Seu corpo foi encontrado seis dias depois, desfigurado por ácido e com marcas de violência e abuso sexual, numa mata atrás do Hospital Infantil. O corpo da menina está sepultado num cemitério na cidade de Serra
O caso do desaparecimento e morte da menina Araceli Cabrera Crespo, em maio de 1973, foi relembrado em 2023 com ênfase pela imprensa nacional, quando fez 50 anos. Ela faria nove anos no dia 2 de julho daquele ano. O registro lembrou que o caso intriga pela grande quantidade de fatos desencontrados até hoje. Polícia, suspeitos e familiares se depararam com diversas versões ao longo desses anos, e o crime permanece sem solução. Os réus foram condenados pelo Tribunal do Júri, mas, depois, absolvidos por uma decisão do desembargador Paulo Copolillo, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo, que levou cinco anos para apreciar o recurso da defesa dos acusados e mandou arquivar o processo. Depois de alguns anos, o dia do desaparecimento de Araceli passou a servir de marco para alertar a sociedade sobre a violência contra as crianças. O 18 de maio foi instituído como o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, desde o ano 2000.
Araceli saiu de casa, no bairro de Fátima, na Serra, no dia 18 de maio de 1973, e seguiu para a Escola São Pedro, na Praia do Suá, em Vitória. Por conta do horário do ônibus que a levaria de volta para casa, a mãe, Lola Cabrera Crespo, pediu para que Araceli saísse da escola mais cedo. Ao sair da escola, ela foi vista por um adolescente no bar Oásis, no cruzamento das avenidas Ferreira Coelho e César Hilal, em Vitória, que fica a poucos minutos da escola onde a menina estudava (a escola não existe mais). Essa testemunha disse à polícia, na época, que a menina não tinha entrado no coletivo e ficou brincando com um gato no estabelecimento. Depois disso, Araceli não foi mais vista. Quando a noite chegou, o pai, Gabriel Sanchez Crespo, iniciou as buscas. Seis dias após o desaparecimento, em 24 de maio, o corpo de uma criança foi encontrado desfigurado e em avançado estado de decomposição em uma mata atrás do Hospital Infantil, em Vitória. Inicialmente, o pai de Araceli reconheceu o corpo como sendo da menina. No dia seguinte, ele negou, afirmando que o corpo não era o da filha desaparecida. Meses depois, após exames, foi constatado que o corpo era mesmo de Araceli. Quem encontrou o corpo de Araceli foi o hoje policial Ronaldo Monjardim, junto com o seu pai. Ele tinha 15 anos quando tudo aconteceu. Em 2015, ele voltou ao local a convite do G1 e se lembrou do momento em que encontrou o corpo. “Só tinha o corpo dela ali naquele local. Foi uma cena muito… (pausa). Parece que eu estou vendo o momento em que eu encontrei ela, voltando aqui ao local”, disse.
Atualmente, Araceli Cabrera Crespo dá nome à rua onde morava com a família. O Jardim de Araceli, em Jardim Camburi, na capital capixaba, também é uma homenagem à menina. Ironicamente, ele fica exatamente no final da Avenida que leva o nome de Dante Michelini. Noa 50 anos da morte da menina, o caso virou livro. Dois herdeiros de famílias poderosas do estado, Dante Brito Michelini e Paulo Constanteen Helal, foram acusados de drogar, estuprar e matar a menina. Além disso, o pai de um deles, Dante de Barros Michelini, foi acusado de contribuir com o crime e usar sua influência para atrapalhar as investigações. Todos se declaravam inocentes e, apesar de terem sido condenados em um primeiro julgamento, os três foram inocentados após recurso. Por causa da impunidade e da grande visibilidade que recebeu, o caso Araceli se tornou símbolo do combate à violência sexual de crianças e adolescentes. Os jornalistas capixabas Felipe Quintino e Katilaine Chagas lançaram o livro “O Caso Araceli – Mistérios, Abusos e Impunidade” que se debruçou de maneira inédita sobre o processo judicial, além de entrevistar testemunhas e analisar a cobertura jornalística do crime. De acordo com Quintino, o objetivo da obra é confrontar as informações sobre o caso e revelar as lacunas da investigação que contribuíram para que a morte de Araceli ficasse impune.




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